quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Algumas passagens do Diário da Peste de Londres, de Daniel Defoe

"À volta de 1720, aquando de uma epidemia de peste em Marselha, epidemia essa que causou para cima de 100 mil vítimas, Defoe lembrou-se de explorar o clímax pestífero de Londres, onde se manifestava o receio de uma recidiva da peste que em 1665 vitimou para cima de duzentas mil pessoas, pondo-se a reunir elementos para a composição de uma obra que fosse ao mesmo tempo uma advertência à população londrina e um rendoso negócio", da introdução de João Gaspar Simões



"Naquele tempo cada um estava tão preocupado com a sua própria segurança que raramente se via piedade pela desgraça alheia. Cada um via, por assim dizer, a morte à sua porta, por vezes mesmo na sua própria família, e ninguém sabia o que fazer ou onde refugiar-se.
Isto, repito, suprimia toda a espécie de compaixão; a conservação de cada um parecia, com efeito, a regra primordial: as crianças fugiam dos pais, ao vê-los na maior miséria; em certos sítios, embora com menos frequência, os pais fizeram o mesmo aos filhos - sim houve exemplos pavorosos. [...]
Falo, claro está, da generalidade, pois em muitos casos viu-se exemplos múltiplos de inquebrantável afecto, de piedade e de respeito pelo dever" p. 128

"Gostaria de poder registar aqui o próprio som dos gemidos e das exclamações que ouvi da boca dos pobres moribundos no momento mais profundo da sua angústia e da sua desgraça; muito desejaria que os leitores pudessem ouvir, como eu próprio imagino estar a ouvi-los, pois ainda lhes ouço o eco nos ouvidos" p 116

Daniel Defoe
Diário da Peste de Londres
tradução de João Gaspar Simões
ed. bonecos rebeldes (estranha editora esta de que nunca tinha ouvido falar!)
comprado num hipermercado

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Bolota Castanha

Aqui fica um post apenas para aguçar o apetite, de uma refeição na sempre excelente Bolota Castanha, na Terrugem (entre Estremoz e Elvas). É pena que as fotos não façam jus ao requinte dos pratos e do ambiente, mas um certo pudor impediu-me de usar a máquina com à-vontade. Em todo o caso dá para ter uma ideia da qualidade da refeição.

espinafres com gambas (e bechamel), a entrada de cortesia

Uns lombinhos (de javali?) com esparregado e puré de maçã

O café, que vem acompanhado por um chocolatinho e um cálice de licor de bolota

terça-feira, 1 de agosto de 2017

tik tak. Almoço na Ericeira

No fim de semana passado, antes de uma visita ao convento de Mafra, decidimos ir almoçar à Ericeira, que não ficava longe. Tentámos o Mar d'Areia, mas estava cheiíssimo. Aliás, toda a vila tinha uma imensidão de gente, os restaurantes a abarrotar. Acabámos por arranjar uma mesinha bem agradável no tik tak, que nos pareceu ter boa pinta.

As primeiras indicações foram promissoras: pão (bolas tipo mafra) e excelentes azeitonas. Para entrada, umas amêijoas à Bulhão Pato, bem confecionadas, pena terem um bocadinho de areia (não muita). 15 euros.

Como peixe do dia havia um pregado de dois quilos (a 45 euros por quilo, a refeição ficaria uma pequena fortuna). Optámos por uma espetada de tamboril com gambas - muito apreciada - e polvo grelhado - menos elogiado, mas bom, com acompanhamentos vários e em tão grande quantidade (dois polvos por cada dose) que até sobrou o suficiente para levar para casa e fazer uma generosa saladinha de polvo. Até me questionei se, ao verem que tínhamos miúdos, terão reforçado a dose...

O preço acabou por ser um bocadinho puxado: 69 euros, mas com amêijoas, tanta comida e num sítio tão agradável, dificilmente poderia ser muito menos. Os empregados também se mostraram sempre simpáticos e eficientes. O tik tak ficou aprovado.



terça-feira, 25 de julho de 2017

No mercado de Algés

Já era fã do mercado de Algés antes da remodelação - e depois dela continuei a ser, embora mais dos vendedores das bancas (peixe, fruta, hortícolas) do que dos restaurantes.

Mas também já tenho comido bem nos restaurantes. Por exemplo, gostei muito do bao de barriga de porco vendido no sushi - um pão muito leve com carne tostada e alguns temperos orientais no interior.

As sobremesas da pastelaria também são muito boas - embora a um preço elevado.

E adorei este entrecosto comprado num estabelecimento chamado Petiscos, ou coisa parecida.

Comi os pickles com a casca de limão e tudo!


terça-feira, 30 de maio de 2017

A Rússia e a superfície da lua

Aqui fica o arranque promissor de "Estaline e os Cientistas", de Simon Ings:

"Entre 1550 e 1800, a Rússia conquistou todos os anos um território com a dimensão da Holanda atual, até que, no século XVIII, os escritores europeus se deram conta de que aquele país se tornara maior do que a superfície visível da Lua" (Prólogo, p. 1)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Duas frases de Nietzsche

Eis o que sinto em relação a alguns que parecem esforçar-se por complicar o que é simples:

"Eles turvam as águas, para fazê-las parecer profundas"

"Quem sabe que é profundo, procura a clareza; quem quer parecer profundo para a multidão, procura a obscuridade. Porque a multidão considera qualquer coisa profunda se não conseguir ver o chão lá em baixo: a multidão é tímida e tem receio de ir para a água"