terça-feira, 1 de agosto de 2017

tik tak. Almoço na Ericeira

No fim de semana passado, antes de uma visita ao convento de Mafra, decidimos ir almoçar à Ericeira, que não ficava longe. Tentámos o Mar d'Areia, mas estava cheiíssimo. Aliás, toda a vila tinha uma imensidão de gente, os restaurantes a abarrotar. Acabámos por arranjar uma mesinha bem agradável no tik tak, que nos pareceu ter boa pinta.

As primeiras indicações foram promissoras: pão (bolas tipo mafra) e excelentes azeitonas. Para entrada, umas amêijoas à Bulhão Pato, bem confecionadas, pena terem um bocadinho de areia (não muita). 15 euros.

Como peixe do dia havia um pregado de dois quilos (a 45 euros por quilo, a refeição ficaria uma pequena fortuna). Optámos por uma espetada de tamboril com gambas - muito apreciada - e polvo grelhado - menos elogiado, mas bom, com acompanhamentos vários e em tão grande quantidade (dois polvos por cada dose) que até sobrou o suficiente para levar para casa e fazer uma generosa saladinha de polvo. Até me questionei se, ao verem que tínhamos miúdos, terão reforçado a dose...

O preço acabou por ser um bocadinho puxado: 69 euros, mas com amêijoas, tanta comida e num sítio tão agradável, dificilmente poderia ser muito menos. Os empregados também se mostraram sempre simpáticos e eficientes. O tik tak ficou aprovado.



terça-feira, 25 de julho de 2017

No mercado de Algés

Já era fã do mercado de Algés antes da remodelação - e depois dela continuei a ser, embora mais dos vendedores das bancas (peixe, fruta, hortícolas) do que dos restaurantes.

Mas também já tenho comido bem nos restaurantes. Por exemplo, gostei muito do bao de barriga de porco vendido no sushi - um pão muito leve com carne tostada e alguns temperos orientais no interior.

As sobremesas da pastelaria também são muito boas - embora a um preço elevado.

E adorei este entrecosto comprado num estabelecimento chamado Petiscos, ou coisa parecida.

Comi os pickles com a casca de limão e tudo!


terça-feira, 30 de maio de 2017

A Rússia e a superfície da lua

Aqui fica o arranque promissor de "Estaline e os Cientistas", de Simon Ings:

"Entre 1550 e 1800, a Rússia conquistou todos os anos um território com a dimensão da Holanda atual, até que, no século XVIII, os escritores europeus se deram conta de que aquele país se tornara maior do que a superfície visível da Lua" (Prólogo, p. 1)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Duas frases de Nietzsche

Eis o que sinto em relação a alguns que parecem esforçar-se por complicar o que é simples:

"Eles turvam as águas, para fazê-las parecer profundas"

"Quem sabe que é profundo, procura a clareza; quem quer parecer profundo para a multidão, procura a obscuridade. Porque a multidão considera qualquer coisa profunda se não conseguir ver o chão lá em baixo: a multidão é tímida e tem receio de ir para a água"
Os arautos do politicamente correto que gostam muito de invocar obras de arte revolucionárias (mas só porque já foram assimiladas), livros proibidos (mas só porque se tornaram de leitura obrigatória) e autores malditos (porque hoje já são consensuais...), são os mesmos, quando aparece algo que foge aos cânones ou que os incomoda, a arremessar pedras e a arrasar os prevaricadores. Gostam de arvorar-se em tolerantes, mas à primeira oportunidade não perdoam.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O exibicionismo de um crítico (há quem goste; eu não)

Não é costume fazer aqui crítica à crítica, mas neste caso não consegui ficar indiferente perante tanta tontice e exibicionismo.

http://observador.pt/especiais/uma-noite-no-novo-restaurante-cabaret-de-jose-avillez-atencao-este-artigo-contem-spoilers/

Claro que o artigo de Tiago Pais tem aspetos engraçados, nomeadamente a forma como introduz a pessoa que o acompanhou e depois a transforma num leitmotiv ao longo do texto:

Decidi que não vou escrever “companhia/companheira” no resto do texto. Haja paciência. De agora em diante, passará a ser identificada como Nini, que dos hipotéticos diminutivos do seu nome verdadeiro é o que me parece mais apropriado à temática cabaret-gourmet.

Mas o artigo também tem aspetos irritantes - e de que maneira! A começar pelo título, onde surge o tão em voga 'contém spoilers'. Talvez funcione com o tipo de gente que anda atrás destas modas - e por isso vejo comentários do género "que delícia de texto". Mas não comigo.

Pior do que os modismos, porém, é a vaidade que revela esta narrativa sobre o 'privilegiado' a quem é concedida uma espécie de entrada VIP para um espaço ultra-sofisticado e secreto.

apenas umas horas depois, receberia um telefonema da sua assessora de comunicação, Mónica Bessone, com uma notícia e um convite:
 Tiago, o novo espaço já está em soft opening. Não posso revelar grande coisa, para já, mas queríamos muito que viesse conhecê-lo e jantasse cá uma noite destas.

UAU!, este tipo recebe telefonemas da assessora de comunicação do Avillez!

Outra coisa ridícula é o autor querer mostrar a erudição do seu palato, quando diz isto:

Já as pedras têm, no recheio, um estranho sabor a peixe. Discutimos o que será. Fígado de tamboril? Quase: “É fígado de bacalhau”, esclarecem-nos.

Ou esta passagem, talvez ainda mais patética:

Mais um desafio: que é pombo, disso não há dúvidas, que traz lascas de foie gras também não. O puré que acompanha não é tão fácil de identificar. Será cheróvia? Será nabo? Nabos somos nós e a cheróvia não sabe assim. Fui ver, era tupinambo.

Quanto ao restaurante em si, pareceu-me ser tudo aquilo que não me encanta: muito investimento num ambiente artificial, muitos maneirismos, uma comida cheia de efeitos. Tal e qual como o texto do crítico do Observador.

terça-feira, 14 de março de 2017

O 28 de maio e o fim da I República

Tem sido uma agradável surpresa a leitura de Ditadura ou Revolução? A verdadeira história do dilema ibérico nos anos decisivos de 1926-1936, do engenheiro electrotécnico aposentado José Luís Andrade.




Deixarei aqui apenas dois excertos que podem interessar aos meus estimados amigos e seguidores.

«"O 14 de Maio de 1915, que derrubou Pimenta de Castro, foi muito mais sangrento do que o 5 de Outubro de 1910; os combates que se seguiram ao assassinato de Sidónio, em Dezembro de 1918 e princípios de 1919, com o esmagamento da revolta monárquica de Monsanto, em Lisboa, e o derrube da Monarquia do Norte, foram uma autêntica guerra civil; a noite sangrenta de 1921, com o assassinato do fundador da República Machado Santos, do chefe do Governo António Granjo e de outros políticos moderados, foi uma selvajaria sem precedentes. De cada banho de sangue, o Partido Democrático saía mais confirmado na força do seu poder sobre o Estado, mais decidido a dominar a sujeitar a Igreja, e mais afastado e isolado do povo e do país" [esta é uma citação de João Seabra]
«Mas a verdade é que, apesar das dúvidas quer à esquerda quer à direita, muita gente, inconformada e enjoada com a triste realidade em que o País se tornara, conspirava para derrubar os 'bonzos' e levar à derrocada do Partido Democrático. E crescia assim, cada vez mais, o entusiasmo pela simplicidade e transparência da solução militar» pp. 63-64

Em Espanha:
«Sem que tivesse ainda assentado a poeira da agitação provocada por uma tão profunda mudança de regime, logo se iniciaram manifestações violentas do mais desenfreado anticlericalismo, com assaltos, pilhagens, vandalização e incêndio de igrejas, mosteiros e conventos. No dia 11 de Maio, grupos organizados com motivações anticlericais incendiaram em Madrid numerosas igrejas, conventos, estabelecimentos de ensino e outros edifícios de instituições religiosas. Como se isso não fosse suficiente, o ódio desenfreado levou-os a praticar carnavalescas representações sacrílegas, arrastando pelas ruas relíquias, ossadas, imagens e mesmo os próprios sacerdotes e religiosos». pp. 218-219